Coronavírus: ‘Estou bem confiante’, diz médica baiana que recebeu vacina contra a covid-19


Uma das 2 mil pessoas que se voluntariaram na Bahia para receber a vacina de Oxford contra a covid-19 é a médica pneumologista Larissa Voss Sadigursky.

A especialista tomou a primeira dose da imunização nesta terça (21) e se disse bastante confiante que em breve o mundo terá uma arma contra o coronavírus.


A médica foi selecionada pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, responsável pelo estudo em Salvador. “Esse estudo pode trazer resultados bastante positivos no combate à covid-19. Trata-se de um estudo randomizado, duplo cego e dividido em 2 grupos. Um grupo tomará a vacina da covid-19 e o outro será o grupo controle, que tomará a vacina para meningite ACWY. Tanto os pesquisadores quanto aqueles que farão a vacina não saberão quem tomará uma ou outra. Apenas ao final do estudo, ambos saberão quem tomou a vacina da covid ou a vacina controle” explicou ela.

Para participar, a pneumologista passou por uma bateria de exames, inclusive a sorologia para saber se já teve covid-19, já que só podem participar do estudo pessoas que nunca desenvolveram a doença.

“No sábado passei por avaliação médica no Hospital São Rafael, assinei termo de consentimento, fiz um teste sorológico, exames. É uma vacina que já teve estudo preliminar publicado, que tem uma segurança muito grande, sem efeitos colaterais graves, super bem tolerada, com baixo risco de desenvolver algo grave. Fiquei muito temerosa no começo, mas conversei muito com colegas, professores e estudei bastante, aí me tranquilizei”.


Larissa explica como funciona a vacina. Segundo a médica, os cientistas usam um vírus para conseguir desenvolvê-la, mas isso não oferece riscos ao paciente.

“Ela é composta por um vírus compeltamente inativado, incapaz de se replicar dentro do corpo humano. Um pedaço do RNA do vírus Sars-CoV-2, que causa a covid, é colocado dento do adenovírus inativado, para que ele possa entrar na nossa célula e faça com que haja proteção. Estou bem confiante”, disse.


Apesar de ter sido vacina, Larissa explica que isso não significa que ela vai tentar forçar um contato com o vírus. Os hábitos de isolamento social e a preocupação em utilizar máscara e álcool em gel continuam.


“Não há mudança em relação a comportamento, nem nas pessoas que já tiveram covid-19, nem em quem tomou a vacina. Não muda nada. É importante lembrar que se trata de uma doença nova, temos que ter muita certeza das coisas ainda, estudar mais sobre ela”, alertou.

O próximo passo da pneumologista é fazer uma nova coleta de sangue num período de três a quatro semanas, para ver o corpo produziu imunoglobulinas e atestar a eficácia. Mesmo sem certeza da imunidade, Larissa garante que está honrada em fazer parte deste grupo seleto.

“É bem importante para mim viver esse momento, é uma ajuda à ciência, ao trabalho que cientistas do mundo inteiro estão fazendo para no livrar desta doença. É o mínimo que posso fazer, tentar ajudar”.


Ao todo, 50 mil pessoas participam dos testes em todo o mundo, sendo 10% delas no Brasil. Os brasileiros estão previstos para receber a dose na terceira fase de vacinação. Os resultados positivos até aqui são das duas primeiras fases dos testes de imunização. Ainda está sendo estudado o protocolo, mas cientistas acreditam que o efeito deve ser reforçado com uma segunda dose.

Serão cerca de 2 mil pessoas na Bahia, 2 mil em São Paulo e outras 1 mil no Rio de Janeiro.  

Redação Namidia News, com informações Correio 24 horas

Comente com Facebook