Clarão visto no céu da Bahia é parte de foguete lançado pela China, diz especialista

No final da tarde desta segunda-feira (23), um clarão no céu chamou atenção de moradores de várias cidades da Bahia.

De acordo informações do presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA) e integrante da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (Bramon), Marcelo Zurita, o clarão é a pluma de combustível de um dos estágios do foguete “Longa Marcha 5”, o foguete foi lançado pela China, nesta segunda, para coletar amostras de rochas da lua. 

O clarão pode ser visto em Salvador, em Piraí do Norte, que fica no baixo sul do estado, e Itapitanga, no sul da Bahia, por exemplo.
O fato despertou a atenção de baianos em distintas cidades do estado: eles relataram ter visto um clarão no céu. O fato, inclusive, foi gravado e compartilhado nas redes sociais.

De acordo com Nicolas Oliveira, astrofísico e doutorando do Observatório Nacional, o clarão, muito provavelmente, é o efeito dos módulos de propulsão de um foguete lançado, nesta segunda, pela China. “Eles lançaram, há pouco mais de duas horas um foguete levando a bordo os módulos da missão lunar Chang-e 5.

A missão tem como objetivo coletar amostras da superfície da Lua para análise”, explicou. E acrescentou: “o que foi visto, muito provavelmente, é o efeito dos módulos de propulsão do foguete. Para sair da atmosfera da Terra, a rota de sua trajetória estava prevista para passar acima da América do Sul”. 


A trajetória prevista da missão está acima da América do Sul
 (Ilustração: Reprodução/Agência Espacial Europeia)

Mas, apesar do susto, o fenômeno não oferece risco. Segundo Nicolas, a possibilidade destes módulos causarem um acidente é remota. “Existe uma probabilidade, porém tão pequena que chega a ser desprezível. Os estágios de foguetes modernos comumente se desintegram na atmosfera ao se desacoplarem, outros possuem trajetória de queda calculada para os oceanos. Foguetes da SpaceX possuem estágios que pousam após o lançamento e podem ser reutilizados em outros lançamentos”, revelou.

Foguete chinês
A China lançou uma sonda à Lua para coletar rochas no satélite natural da Terra. Essa é a primeira operação deste tipo em mais de 40 anos, informou a agência estatal Xinhua.

O foguete, batizado de Longa Marcha 5, impulsionou a espaçonave às 4h30 desta segunda, no horário local (17h30 de Brasília). O lançamento aconteceu no centro espacial Wenchang, na ilha tropical de Hainan. A missão Chang’e 5 ganhou esse nome em homenagem a uma deusa da lua na mitologia chinesa.

Essa é a segunda etapa do programa espacial da China que, no início de 2019, conseguiu pousar uma espaçonave no outro lado da lua, uma novidade mundial. A sonda desta missão foi projetada para coletar poeira e rochas lunares, escavando o solo a uma profundidade de dois metros e, em seguida, enviando-as de volta à Terra.

A chegada da sonda à Lua deve acontecer no final de novembro. Já a entrega das amostras à Terra está programada para ocorrer em meados de dezembro.

Redação Namidia News. Fotografia Reprodução / Redes Sociais

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