ACM Neto inicia jogadas para viabilizar Bruno Reis como candidato a sucessor

O prefeito de Salvador, ACM Neto, anunciou nesta terça-feira (16) que a partir de agora o vice Bruno Reis vai coordenar os projetos sociais do Palácio Thomé de Souza. A iniciativa tem olhos em 2020, quando Reis é cotado para ser candidato a sucessor de ACM Neto na prefeitura. Porém passa também por uma compensação de visibilidade. Ao preferir ficar como prefeito, em abril, ACM Neto obrigou o vice a desaparecer do cenário, sob o risco de expor publicamente a frustração de não ascender ao comando do Executivo soteropolitano.

A estratégia de transformar Bruno Reis numa espécie de embaixador de programas sociais, cuja chance de visibilidade positiva é grande, é uma aposta para que o vice se capitalize politicamente para tentar chegar ao desejo de ocupar o Thomé de Souza. Durante os meses que antecederam o anúncio de que ACM Neto não seria candidato ao governo, as atenções se voltaram para Reis para observar a forma de articulação adotada por ele. Até então, o vice pareceu exitoso ao conseguir costurar alianças e a formação de uma base de apoio relevante na Câmara.

No entanto, após a decisão de ACM Neto de continuar como prefeito, o vice viu o capital político construído se esfacelar junto com o sonho de assumir, ainda que maneira indireta, o comando da primeira capital do Brasil. O PHS e o racha da proporcional foram os casos mais emblemáticos do quanto Bruno Reis não conseguiu manter aglutinado o grupo feito por ele próprio.

Então, sob o risco de exposição negativa, o vice submergiu, como se diz no jargão político. Agora, passada a turbulência da campanha, chegou a hora de reaparecer para tentar viabilizar a própria candidatura daqui a dois anos, como candidato natural do grupo.

A estratégia começou a ser colocada em prática há algumas semanas, quando o “braço direito” começou a substituir ACM Neto em atos oficiais. Antes, Bruno Reis já tinha mais espaço do que a vice antecessora, Célia Sacramento, defenestrada do posto na reeleição do prefeito. Agora, depois de voltar à condição de principal potencial sucessor, vai tentar tomar as rédeas da própria carreira política.

Assumir uma secretaria talvez seja um dos movimentos mais regulares desse processo. Se na vice-prefeitura a tendência seria ser coadjuvante, como titular de uma pasta robusta ele poderia ser um candidato a protagonista muito mais contundente. É esse o rascunho até agora apresentado. Se será cumprido, os próximos passos dirão.

Nos bastidores, é dado como pacificado que, entre os chamados “menudos”, Bruno Reis é o nome para disputar o Palácio Thomé de Souza. Mesmo assim, é possível que outros nomes se arvorem como possíveis candidatos. Falta combinar também com os demais aliados.

Em resumo, foi dada a largada para o prefeito escolher o candidato a sucessor. Quem vai chegar no final da corrida? Aí é outra história.

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