
Além de grandes distâncias, os aplicativos também vêm sendo utilizados para caronas dentro da própria cidade. Em geral, os passageiros contribuem com dinheiro para ajudar com combustível e pedágio.
Dentre os serviços, o Tripda é o que possui mais opções e diversidade para motoristas e usuários. Ao entrar na rede, a pessoa tem a possibilidade de oferecer caronas ou procurar ofertas de transporte. Na criação do perfil, o motorista pode selecionar a intensidade do nível de conversa que deseja ter com os passageiros, a música a ser escutada, a possibilidade de fumar dentro do automóvel ou de transporte de animais.
O Tripda também possui uma opção chamada “Só Elas”, que marca caronas só entre mulheres. Outros métodos de segurança do aplicativo incluem a possibilidade de ver informações e avaliações sobre o motorista, qual carro é usado e quantas vezes ele deu carona por meio da rede.
Segundo seus criadores, o Tripda já conta com mais de 60 mil usuários cadastrados apenas no Brasil, com apenas um ano de funcionamento por aqui. A coordenadora de marketing Daiane Rocha é usuária assídua do Tripda. Ela se vale do aplicativo tanto para dar carona para pessoas da faculdade ou para viagens mais longas. “Vou sempre para Florianópolis (SC). Avião sai por R$ 150 e ônibus fica uns R$ 120. A carona sai por R$ 80”, calcula.
Apesar de ressaltar “o medo de mãe” ao viajar com estranhos, Daiane ressalta que as caronas colaborativas só tendem a crescer. “Os mochileiros estão cada vez mais conectados. E, principalmente, as pessoas estão confiando mais umas nas outras”, finaliza.
No BeepMe a pessoa procura por rotas na ferramenta de buscas do site ou no celular. Logo em seguida, aparece um grupo com usuários que realizam a viagem frequentemente. Assim, a pessoa pode oferecer ou procurar caronas por meio de postagens dentro da rede de usuários com o mesmo interesse de destinos. Funciona como uma espécie de Facebook de caronas, onde pessoas interagem com comentários, curtidas e compartilhamentos.
O engenheiro agrônomo Paulo Márcio Dantas da Gama oferece frequentemente caronas na plataforma. Para ele, as vantagens do modelo são diversas. “Além de ajudar a dividir os custos, a gente ganha uma companhia para o percurso, o que deixa o trajeto mais atrativo e menos chato”, conta.
Para ele, o sucesso das caronas colaborativas só tende a crescer. “As pessoas vão se interessar cada vez mais em dividir espaço nos carros devido às questões ligadas aos aspectos ambientais, principalmente”, declara.
Interação
O aplicativo Ponga funciona com a mesma lógica de aplicativos de táxis, como 99Taxis ou Easy Taxi. A pessoa entra no app e visualiza um mapa com os usuários ao redor que oferecem carona para o destino desejado. A pessoa escolhe um e, a partir daí, basta solicitar a carona. A interação, então, ocorre praticamente em tempo real. Ainda é possível analisar as informações sobre o motorista, qual carro é usado ou avaliações de outros passageiros.
André Paraense, criador do aplicativo, conta que o funcionamento é diferenciado devido ao formato em que foi baseado. “Nos inspiramos nos aplicativos de carona americanos. Facilitamos um contato que seria impossível de acontecer por telefone, por exemplo”, diz.
O aplicativo mantém uma parceria com a Faculdades de Campinas (Facamp), disponibilizando um grupo exclusivo para alunos, funcionários e colaboradores.
“Só nas últimas três semanas, que foi quando o Ponga foi implementado aqui, já ofereci várias caronas”, conta Roberta Firmino, estudante de administração da faculdade.
O Carona Fácil é uma plataforma de carona colaborativa que se apoia no Facebook para funcionar. As pessoas publicam as ofertas ou desejos de carona – tanto na plataforma, quanto na própria timeline do Facebook – e esperam contato de interessados pela rede social. Ao contrário das outras plataformas, o Carona Fácil não mostra detalhes da viagem, como o preço ou avaliações de caronas anteriores do motorista.
Segundo Pedro Nascimento, um dos fundadores do site, o Carona Fácil é apenas um intermediário entre o motorista e o passageiro. “O site surgiu quando resolvemos criar uma ferramenta que facilitasse a carona em vários grupos do Facebook ao mesmo tempo”, conta. “Só que acabamos transformando aquilo em uma plataforma aberta.”
O mais interessante é que quase não há divulgação da plataforma. Na página do Facebook, a última publicação foi em setembro de 2014. “O Carona Fácil está se sustentando e crescendo sem a nossa ajuda”, revela Nascimento.
Por ser apenas um intermediário entre o motorista e o passageiro, o criador não vê necessidade de ferramentas de segurança no sistema. “As pessoas pegam carona com quem e como querem”, diz. “Nosso processo é bem simples e o resto fica a cargo do usuário.”
Os aplicativos de carona se apresentam como um filão promissor da economia colaborativa. “A tecnologia tornou fácil e barato conectar pessoas e coisas”, disse Lisa Gansky, autora de um livro sobre economia compartilhada e do site Mesh, ao jornal “O Estado de S. Paulo” em julho de 2014. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A Tarde