A Bahia acompanha uma tendência preocupante observada em todo o país: o número de trabalhadores afastados por transtornos mentais e comportamentais tem crescido de forma acelerada nos últimos anos. Dados do Ministério da Previdência Social apontam que, somente em 2025, o estado registrou mais de 22,5 mil afastamentos relacionados à saúde mental, incluindo casos de ansiedade, depressão, transtorno bipolar e síndrome de burnout.
O avanço dos problemas psicológicos no ambiente de trabalho também aparece em uma análise histórica. Entre 2014 e 2024, a quantidade de benefícios previdenciários concedidos por transtornos mentais na Bahia saltou de 5.020 para 15.189, um crescimento superior a 300% em dez anos.
Entre os diagnósticos mais frequentes estão os transtornos de ansiedade, que lideram os afastamentos ligados ao trabalho, seguidos por reações ao estresse grave e episódios depressivos. Especialistas apontam que fatores como pressão por metas, insegurança profissional, jornadas intensas e os impactos deixados pela pandemia contribuíram para o aumento dos casos.
Outro dado que chama atenção é o crescimento dos afastamentos por burnout, síndrome associada ao esgotamento profissional. No Brasil, os benefícios concedidos por essa condição passaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, um aumento de 823% em apenas quatro anos.
Os episódios depressivos geraram 4.732 concessões de benefícios, enquanto os transtornos ansiosos registraram 6.730 afastamentos, reforçando o impacto da crise de saúde mental sobre trabalhadores e empresas.
Diante do cenário, especialistas defendem medidas de prevenção, acolhimento e acompanhamento psicológico dentro das organizações, além de políticas voltadas à promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.