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Exposição imersiva do Coral Vivo chega a Salvador para traduzir a crise climática em experiência sensorial


Mostra gratuita no Shopping da Bahia une ciência, arte e tecnologia para aproximar o público dos impactos do clima nos oceanos e já atraiu mais de 40 mil visitantes no circuito itinerante

Após passar por Belém e Rio de Janeiro, a partir de 10 de maio, chega a Salvador a exposição “Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo”, mostra imersiva gratuita idealizada pelo Projeto Coral Vivo, que transforma a emergência climática em uma experiência sensorial, educativa e acessível para públicos de todas as idades. Em cartaz no Shopping da Bahia, até 24 de maio, a exposição convida o visitante a compreender de forma concreta como a ação humana alterou o equilíbrio do planeta e que é preciso agir agora para evitar cenários mais graves no futuro.

A mostra, que já atraiu mais de 40 mil visitantes, chega à capital baiana com uma conexão direta com a região. O estado abriga a base de pesquisas do projeto, no Arraial d’Ajuda Eco Parque, e ocupa papel central em sua trajetória científica. Foi em Abrolhos que o fundador Clovis Castro participou, ainda nos anos 1980, das expedições que ajudaram a revelar a biodiversidade da região e ajudaram a embasar a criação do parque.

“A Bahia é um território-chave para o futuro do oceano. Nesta região estão as formações recifais mais ricas e biodiversas do Atlântico Sul, verdadeiras florestas marinhas que sustentam vida, cultura e economia. É nesse cenário que o Coral Vivo atua há anos, produzindo ciência e buscando soluções. Conectar essa potência natural com o público, por meio de uma experiência sensorial, é uma forma de aproximar as pessoas da urgência e, ao mesmo tempo, das possibilidades de mudança e cuidado com o oceano”, destaca Flavia Guebert, Coordenadora Geral do Projeto Coral Vivo.

Criada em parceria com as redes Biomar e REDAGUA, com o patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, a mostra tem como principal objetivo aproximar ciência e sociedade. Coube ao Estúdio Bijari (que assina a direção de arte, expografia e comunicação visual), a missão de traduzir dados e pesquisas em experiências visuais e sensoriais que despertam emoção, reflexão e engajamento. A curadoria foi desenvolvida em parceria entre o Instituto Coral Vivo e representantes do Departamento de Oceano e Gestão Costeira (DOCEANO/MMA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCTI), do Instituto Oceanográfico (IO/USP), da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI/UERJ), do Núcleo de Ecologia Aquática e Pesca da Amazônia (NEAP/UFPA) e do Instituto Meros do Brasil.

“Para nós, é uma alegria receber um conteúdo tão relevante e que dialoga com todos os públicos. O tema do evento é super atual, conectado com o público jovem. Traduzir isso numa experiência imersiva é uma ótima forma de alertar e informar as pessoas, além de ser uma programação imperdível para toda a família”, diz Tatiane Piza, gerente de marketing do Shopping Bahia.

“Esta exposição combina ciência e arte como forma de transmitir a todos o que é a emergência climática e suas consequências, buscando despertar uma reflexão sobre a responsabilidade de cada um como parte da solução”, afirma Gregório Araújo, gerente de Projetos Ambientais da Petrobras.

Experiência para todas as idades — Logo na entrada, o visitante encontra a instalação de projeção mapeada “Terra Planeta Especial”, onde são apresentadas características e fenômenos responsáveis pelos diferentes climas presentes em nosso planeta, assim como pela conectividade entre as diversas regiões da Terra. Neste primeiro momento, o percurso apresenta os fundamentos das mudanças climáticas por meio de videografismos, infográficos, animações e projeções que explicam conceitos como efeito estufa, aquecimento global, conectividade entre ecossistemas e a relação direta entre oceano e clima.

No segundo momento, a mostra aprofunda as causas e consequências da crise climática. A videowall “Eventos Extremos”, com imagens de queimadas, secas e inundações e outros fenômenos relacionados ao clima, introduz a narrativa e dimensiona a urgência do tema. Instalações e painéis abordam desmatamento, consumo insustentável, desigualdades sociais e justiça climática. Boias suspensas exibem números e projeções, inclusive sobre a elevação do nível do mar e o risco de desaparecimento de praias até 2100, ampliando a dimensão de urgência. É também nessa etapa que o público encontra três aquários-esculturas que representam corais em diferentes estados — saudável, em desequilíbrio e branqueado — recurso visual que torna tangível o impacto da crise sobre os ecossistemas marinhos.

Um dos destaques da experiência é o mergulho virtual com óculos de realidade virtual 360° com imagens de Abrolhos, que abriga a maior biodiversidade marinha e o mais extenso recife de corais do Atlântico Sul, sendo crucial para a conservação global. Primeiro, o visitante contempla a beleza de um recife saudável, depois entra em contato com dados de monitoramento coordenados pelo Coral Vivo sobre o impacto e a mortalidade de corais no Brasil em 2024 e 2025. Esse contraste entre encantamento e alerta está no centro da concepção da mostra e ajuda a transformar um problema que muitas vezes parece abstrato em percepção concreta de risco.

A etapa final é propositiva. Em vez de encerrar a experiência apenas no diagnóstico, a exposição apresenta caminhos possíveis para enfrentamento da crise, com foco em conservação, restauração ecológica, participação cidadã e transição energética. Um mapa-múndi coberto por musgo vivo simboliza um planeta ainda pulsante, resistente e frágil ao mesmo tempo. A chamada “estufa viva”, com 500 mudas de restauração florestal, reforça a ideia de esperança concreta. O módulo final responde diretamente à pergunta “O que eu posso fazer?”, com sugestões práticas de ação individual e coletiva.

Dados relevantes — Recentemente, o mais completo estudo já realizado sobre o branqueamento de corais no Brasil foi publicado na revista científica Coral Reefs e coordenado pelo Projeto Coral Vivo, em parceria com o Instituto Coral Vivo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o ICMBio e 20 instituições nacionais e internacionais. A pesquisa monitorou a saúde dos recifes em 18 pontos, ao longo de nove estados e mais de quatro mil quilômetros do litoral brasileiro, e revelou impactos extremos em 2024: em Maragogi (AL), até 96% dos corais apresentaram branqueamento e 88% morreram, enquanto nas regiões de Salvador para o sul, como Rio de Janeiro e São Paulo, as ondas de calor foram menos intensas. No total, 36% dos corais avaliados apresentaram algum grau de branqueamento. Espécies tridimensionais, como o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) e o coral-vela (Mussismilia harttii), foram as mais afetadas, comprometendo a complexidade dos recifes e, consequentemente, a pesca e a renda de comunidades costeiras.

Sobre o Projeto Coral Vivo: O Projeto Coral Vivo integra o Instituto Coral Vivo, OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) referência nacional na conservação de ambientes costeiros e marinhos no Brasil, incluindo recifes de coral, restingas e manguezais. Criado em 2003 no Museu Nacional/UFRJ, o projeto nasce da experiência acumulada de seus pesquisadores, com mais de 40 anos de atuação na área. Patrocinado pela Petrobras desde 2006, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, desenvolve ações integradas de pesquisa científica, educação, políticas públicas, comunicação e mobilização social voltadas à proteção dos ecossistemas costeiros e marinhos. Conta ainda com o copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque e parcerias com diversas universidades e instituições de pesquisa no país. O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar e a REDAGUA, iniciativas colaborativas voltadas à conservação da biodiversidade marinha e à proteção de ecossistemas costeiros.

Serviço
Exposição “Mudamos o Clima, Agora o Clima Muda Tudo”
Local: Shopping da Bahia (Praça Newton Rique, 2º piso)
Endereço: Av. Tancredo Neves, 148, Caminho das Árvores, Salvador, BA, 41100-800
Data: 10 a 24 de maio de 2026
Horários: segunda-feira a sábado, das 9h às 22h; domingo, das 12h às 21h
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Duração média da visita: 45 minutos
Hashtag oficial: #OClimaMudaTudo
Instagram: @projetocoralvivo
Agendamento de grupos e monitoria: exposicao.itinerante@coralvivo.org.br


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