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Entre as piores do mundo: órgão faz balanço da economia brasileira no governo Bolsonaro

A política ultraliberal e a postura de confronto adotadas pelo governo Bolsonaro levaram a situação da economia brasileira a figurar hoje entre as piores do mundo.

O texto do jornal Carta Capital propõe uma análise comparativa dos dados da última edição do World Economic Outlook, publicação semestral do Fundo Monetário Internacional, o FMI, que apresenta a visão do órgão sobre a evolução da economia global, incluindo as previsões sobre os agregados macroeconômicos por ele elaboradas para cada país.

A análise foca nas previsões feitas para quatro agregados principais mensurados na forma de taxas: de crescimento do PIB, de investimento, de desemprego e de inflação. Para cada uma delas, analisa-se a posição relativa prevista para o Brasil em 2022 bem como para o período 2019-2022, que corresponde ao governo Bolsonaro. (Os valores médios ou acumulados no período 2019-2022 foram calculados com dados realizados para os primeiros anos e previstos para 2022 – e 2021, no caso do PIB e do investimento)

Confira a análise do Carta Capital abaixo:

PIB

Em relação à edição anterior, o Fundo prevê que o PIB brasileiro crescerá apenas 0,8% em 2022, apesar da base deprimida pela longa estagnação e pelo crescimento nulo da economia em 2020 e 2021 no contexto da pandemia.

Isso coloca o país com uma das taxas mais baixas do mundo no ano, a 180° entre 193 países. A taxa é inferior a um terço da taxa média esperada para a América Latina e Caribe (2,5%) e é a menor entre as grandes economias do mundo (excetuando a Rússia, hoje em guerra).

Embora a comparação resulte menos desfavorável para o país quando analisamos o período completo de quatro anos do governo Bolsonaro, o crescimento acumulado do PIB previsto pelo Fundo ainda é comparativamente baixo, o 129° entre 193 países e, em 2,6%, muito menor que a média mundial de 9,6%.

A taxa anual média de apenas 0,65% sinaliza a continuidade da estagnação da economia a despeito do Brasil ter se beneficiado na maior parte desse período de termos de troca e condições de financiamento externo favoráveis, e do forte efeito dinamizador da demanda interna oriundo do Auxílio Emergencial, programa massivo de transferência de renda aprovado no Congresso no contexto da pandemia contra a posição inicial do governo, que defendia então um programa de alcance muito menor.

Investimento

A estagnação da economia brasileira não surpreende dada a taxa de investimento prevista de apenas 17,1% do PIB, entre as menores do mundo (147º entre 170 países), muito abaixo da média mundial (27,3%) e da América Latina e Caribe (20,5%). O baixo investimento pode ser explicado principalmente por quatro fatores.

Em primeiro lugar, pelas restrições ao crédito comumente enfrentadas pelos tomadores de crédito, em especial as micro e pequenas empresas, e pelas taxas de juro em geral extremamente elevadas, mesmo no período em que a taxa básica permaneceu em níveis historicamente reduzidos.

Em segundo, pela massa salarial estagnada há anos em razão do alto desemprego e da ausência de políticas públicas efetivas para reduzi-lo, restringindo o aumento do consumo e desalentando o investimento produtivo.

Em terceiro, pela austeridade permanente reforçada pela introdução do teto de gastos que, a despeito de suas brechas, impõe uma pressão constante pela contenção dos gastos públicos, em especial dos investimentos. E, em quarto, pela instabilidade constante gerada pelo próprio governo, que reduz a previsibilidade sobre a política econômica aumentando a incerteza.

Os fatores acima atuam desde o início do governo Bolsonaro, e mesmo antes. Por isso, tampouco surpreende que, quando analisamos a média dos quatro anos do governo Bolsonaro, a taxa de investimento no Brasil, em 16,3% do PIB, seja comparativamente ainda mais baixa (155º entre 170 países) que no ano de 2022, também muito abaixo da média mundial (26,8%) e da América Latina e Caribe (19,3%).

Desemprego

Acompanhando a atividade econômica estagnada há anos, a taxa de desemprego (13,7%) no país permanece em 2022 entre as mais altas do mundo (8º entre 102 países com essa informação), reduzindo o poder de barganha dos trabalhadores e contribuindo para diminuir o poder de compra dos salários.

Essa situação é praticamente a mesma quando analisamos a taxa média de desemprego ao longo dos quatro anos do governo Bolsonaro que, em 13,4%, foi a 12º mais alta entre 102 países, alimentando a profunda crise social no país.

Inflação

O crescimento muito baixo do PIB em 2022 ainda deve vir acompanhado pela alta inflação que, mesmo prevista de forma otimista em 6,7%, é a 68º taxa mais elevada entre os 192 países para os quais há dados para o ano. Isso apesar do Banco Central, buscando contê-la, fixar no Brasil uma das taxas básicas de juro mais altas do mundo, dificultando a retomada da atividade e pressionando a dívida pública.

A alta inflação não ocorre no país apenas neste ano. De fato, quando analisamos os quatro anos do governo Bolsonaro a situação relativa é ainda pior, dado que a inflação acumulada de 28% coloca o Brasil com a 43º taxa mais alta entre 192 países.

Fonte: Carta Capital

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