José Reginaldo de Santana Júnior, de 31 anos, da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), foi morto a tiros na terça-feira passada (29/09) ao tentar cortar a energia elétrica em uma fazenda em Limoeiro, no Agreste de Pernambuco.
A companhia determinou o corte legal de energia por causa da falta de pagamento. Dois eletricistas estavam presentes no momento do crime.
Conforme a Polícia Militar, após o corte de energia o proprietário da fazenda, que já tinha fechado a porteira com um cadeado, “demonstrou grande insatisfação e efetuou um disparo de arma de fogo contra um dos funcionários”, que morreu no local.
O homem ainda obrigou o segundo funcionário, de 39 anos, a religar a energia, “ameaçando-o com a arma de fogo apontada em sua direção”. Depois da religação, ele ainda ameaçou o segundo funcionário e o obrigou a entrar no porta-malas do carro da Celpe.
Relato da testemunha
Segundo depoimento à Polícia Civil do técnico da Celpe, que a TV Globo teve acesso, a equipe foi alvo de ameaças e tentativa de suborno antes do crime.
A testemunha do assassinato contou ao delegado Fabrício Pimentel que chegou à fazenda, junto com o colega José Reginaldo, por volta das 14h17, em uma caminhonete da companhia. A porteira estava destrancada e eles foram conferir o medidor, verificando que a medição do imóvel não tinha irregularidades.
O técnico relatou que, enquanto realizava a suspensão do fornecimento de energia da fazenda, uma mulher que estava dentro da residência informou que o proprietário do imóvel estava no centro da cidade, mas voltaria em breve. Em seguida, a esposa do proprietário do imóvel chegou ao local e permaneceu em silêncio.
“Vamos dar um negocinho para vocês”
Enquanto ele e José Reginaldo recolhiam o material para irem embora, chegou ao local um homem que trabalhava na fazenda, que estava falando no telefone com alguém, e disse à dupla: “Religa a energia que nós vamos dar um negocinho para vocês”, conforme depoimento.
O técnico disse que ele e o colega negaram a oferta e, quando estavam saindo do local, chegou o proprietário da fazenda, que ofereceu dinheiro para que religassem a energia do imóvel, sendo a oferta novamente recusada.
Em seguida, o proprietário entrou na casa e os funcionários da Celpe voltaram para a caminhonete da empresa, mas perceberam que a porteira estava trancada com cadeado.
Conforme a polícia, quando voltaram à casa para pedir a chave, o proprietário veio ao veículo da companhia com um revólver na cintura e uma arma longa na mão apontando para a dupla, ordenando que os dois funcionários da Celpe jogassem os celulares para fora do veículo.
Também de acordo com o depoimento do técnico, o proprietário apontou a arma para José Reginaldo e disse para ele religar a energia. O eletricista obedeceu e desceu do veículo, mas o proprietário o baleou quando estava próximo ao porta-malas.
Em seguida, o proprietário ordenou que o técnico religasse a energia e ameaçou matar a mãe do funcionário caso ele o denunciasse. Posteriormente, o técnico foi trancado dentro do porta-malas do veículo da Celpe e, após 10 minutos, um homem que se identificou como advogado do proprietário o liberou.
Celpe
Por meio de nota, a Celpe informou que “recebeu com consternação a notícia do assassinato do colaborador”, que “lamenta o ato brutal praticado contra o eletricista e informa que está prestando o apoio necessário à família da vítima” e que “condena, veementemente, qualquer conduta violenta, sobretudo que atente contra a vida”.
O departamento jurídico da companhia está acompanhando a instauração do procedimento investigativo “e demanda das autoridades públicas o pleno cumprimento da lei”.

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de Portal Alto Piquiri