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O caos da Covid-19 no Equador: Corpos ficam em casa por falta de locais apropriados

Funerária do Equador

Centenas de cadáveres estão em casa devido à falta de espaço nos necrotérios e nos serviços hospitalares da cidade de Guayaquil. O local, que é capital econômica do Equador, se tornou o símbolo do caos causado pela pandemia da Covid-19.

O Equador – que tem 17,5 milhões de habitantes – é, depois do Brasil, o segundo país mais afetado da América Latina pela pandemia do novo coronavírus.

Oficialmente, o país possui 7.500 casos e 333 mortes relacionados com a Covid-19.

O Governo do Equador já declarou a emergência sanitária e o fechamento das fronteiras.

De acordo com Jorge Wated, responsável por uma força especial enviada pelo Governo para recolher os cadáveres, “o número (de corpos) recuperados em habitações passou os 700”.

Ainda conforme Wated, essa força especial policial e militar recolheu 771 cadáveres em residências, aos quais foram adicionados aos 631 corpos recolhidos em hospitais com necrotérios cheios. Porém, ele não especificou exatamente as causas dessas cerca de 1.400 mortes.

De acordo com dados oficiais, a província de Guayas concentra 72% dos casos de coronavírus, e Guayaquil, a sua capital, sozinha possui cerca de 4.000 pacientes de Covid-19.

A força policial e militar especial foi criada logo após o colapso dos serviços funerários de Guayaquil, que prejudicaram funerais e enterros. Um recolhimento obrigatório diário de 15 horas acontece em todo o país.

Durante dias, centenas de cadáveres foram deixados em casa ou mesmo nas ruas, envoltos em plástico preto. Os moradores compartilharam vídeos de corpos abandonados e pedem ajuda nas redes sociais para as famílias que desejam enterrar os seus entes queridos.

Enterros feitos pelo governo

O Governo está providenciando os enterros quando os familiares não podem fazê-lo por várias razões, inclusive financeiras. De acordo com Jorge Wated, os restos de 600 pessoas identificadas foram enterrados.

Os enterros ocorrem sem os parentes das vítimas. Os nomes dos mortos são publicados num portal eletrônico criado pelo governo para informar aos familiares onde os corpos estão enterrados.

Os vizinhos do cemitério de Pascuales gravaram vídeos que mostram caminhões rebocando contêineres refrigerados entrando no local escoltados pela polícia.

Devido à falta de espaço nos necrotérios, o município de Guayaquil tinha contêineres colocados perto de hospitais e da polícia forense. Eles são colocados lá com o intuito de servirem como depósito para cadáveres.

De acordo com declarações de Wated, os especialistas médicos estimavam “que as mortes por Covid-19 atingirão nos próximos meses entre 2.500 e 3.500, somente na província de Guayas”.

O Presidente do Equador, Lenin Moreno, anunciou que decidiu reduzir pela metade o seu salário e o de outros funcionários do Estado diante da crise econômica e à queda nos preços internacionais do petróleo.

Fonte: Da Redação Namidia News com informações de Agência Lusa

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